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Senhor aposentado planta mais de 25 mil árvores sozinho em SP

Senhor aposentado planta mais de 25 mil árvores sozinho em SP

Hélio da Silva tem 67 anos, é paulista e administrador de empresas aposentado.

Além destes adjetivos iniciais, Hélio alcançou um título no mínimo honroso: 'Plantador de Árvores'.

Isto porque, sem qualquer auxílio, ele plantou 25 mil árvores numa área deflorestada de São Paulo, o maior centro urbano do país, e ajudou a Prefeitura da cidade a enxergar potencial de embelezamento urbano na região.

Motivado pela falta de ambientação verde nos arredores, Hélio plantou a primeira muda no local, conhecido popularmente como Parque Tiquatira, em 23 de novembro de 2013. Só quatro anos depois, quatro mil novos exemplares surgiram do concreto:

'Antes, havia lá umas 15 árvores de replantio, apenas', lembra Silva, que foi o principal colaborador para que a área, antes de degrada, suja e cheia de entulhos parasse de ser um point buscado por traficantes e usuários de drogas.

Hoje, a Prefeitura de São Paulo, impulsionada pela iniciativa do ex-administrador, quer transformar o parque no primeiro linear (alocado ao longo do decurso de um rio) da capital do estado.

Sem qualquer auxílio inicial, Hélio reflorestou as margens do Córrego Tiquatira, na Zona Leste, e transformou 230 mil metros m² num ambiente agradável a ser frequentado por todos os cidadãos.

A transformação da área num parque foi o que levou-o a acelerar ainda mais o ritmo: quanto mais gente e pássaros eram atraídos para a ilha verde, localizada em meio à selva de pedra, mais buracos Silva perfurava para dar vida a novas mudas:

'As árvores são generosas, oferecem ar purom ajudam a preservar as nascentes, dão frutos, atraem pássaros, embelezam com flores e contribuem para reduzir a temperatura em seu entorno', explica o senhor, que é assumidamente fascinado por plantas, '[elas também] retém 40% das chuvas torrenciais, evitando erosões.'

Segundo cálculos do próprio reflorestador, exatas 25.047 árvores foram plantadas no local, com porcentagem de sobrevida atingindo 88%.

Em números, são mais de 150 espécies nativas da Mata Atlântica, incluindo o ameaçado pau-brasil e a araucária. Dentre outras árvores estão jequitibás, aroeiras, ipês e embaúbas.

Hoje, quem utiliza o antigo córrego para uma caminhada, ou simplesmente para uma tarde de lazer e em maior contato como a natureza, conta com a presença de pássaros diversos, que começaram a frequentar o Parque com o surgimento dos primeiros frutos, e outras formas de vida.

De acordo com Silva, a cada 12 árvores plantadas por ele, uma é frutífera, o que confere ao largo uma coleção de araçás, amoras, frutas do conde, pêssegos do mato, jabuticabas e figueiras, que alimentam uma gama variada de sabiás, sanhaços, periquitos, maracanãs, maritacas, tico-ticos, saíras e outras 20 espécies de pássaros (segundo dados da Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente).

Os paulistas, por um lado, estão muito agradecidos com a sacada do conterrâneo:

'No feriado, estava mostrando para minha mãe o quanto o Tiquatira melhorouc om as árvores', Robson Xavier de Carvalho, residente próximo do bosque, comenta. 'O senhor é gente que faz a diferença. Somos gratos ao senhor por ter deixado nossa região tão arborizada assim.'

O reflorestamento em regiões não-verdes de São Paulo é uma medida imprescindível para o bem-estar dos moradores.

Como já comentamos aqui, as ilhas de calor são fenômenos causados pelo aglomerado excessivo de concreto em meio a uma ausência de verde, que têm o poder de tornar algumas regiões mais quentes e abafadas.

O surpreendente é que, apesar das mensagens de apoio e gratificação, Silva tem pouca ajuda de seus vizinhos:

'Atualmente, conto com duas pessoas, o Carlos e o Waldemar, que me ajudam há dois anos', comenta. 'Nesses quase 15 anos, algumas pessoas me apoiaram, mas foram ficando pelo caminho. Em São Paulo, o vizinho é um anônimo, e a maioria das pessoas quer saber apenas de seus problemas particulares.'

Mesmo tendo de trabalhar sozinho muitas das vezes, Silva está feliz pelas conquistas, principalmente quando lembra quão árduos foram seus primeiros anos, em que ele precisou até mesmo tirar do próprio bolso para adquirir adubo e mudas; além disso, suas 200 primeiras árvores plantadas foram completamente destruídas em atos de vandalismo, devido à falta de conscientização ambiental da região:

'Além de não poder estar em todos os lugares ao mesmo tempo, o poder público é lerdo, moroso e burocrático', Silva responde, quando questionado se não esperava uma maior fiscalização de órgãos estatais.

Felizmente, a perseverança de Hélio está longe de ser abalada! Ele diz querer alcançar o número impressionante de 50 mil árvores plantadas daqui alguns anos:

'Um parque é a maior unidade básica de saúde, é o melhor hospital', conclui. 'Aqui está a cura para uma doença que afeta mais da metade da humanidade, a depressão.'

O senhor não mente! Foi comprovado, por pesquisas, que o famigerado 'cheiro de mato' realmente combate doenças como a depressão e o câncer.

Levando isto em consideração, Hélio quer dedicar o restante de sua vida à tarefa.

Ele costuma dizer que tem, inclusive, três filhos biológicos, três netos biológicos, e mais 25 mil filhos ecológicos (pelo menos até então).

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