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Opinião: É verdade que Mulheres preocupam-se mais com Reciclagem que Homens?

Opinião: É verdade que Mulheres preocupam-se mais com Reciclagem que Homens?

Finalizando nosso mês de conscientização acerca do papel da mulher no meio ambiente, trazemos, hoje, a análise de um comportamento que nos afeta diariamente, assim como afeta a natureza em nosso redor: a reciclagem.

Segundo estudos publicados no Journal of Consumer Resarch, uma pessoa eco-friendly, ou, em outras palavras, mais ecologicamente consciente, é vista como sendo mais 'feminina' no imaginário social.

Já sabemos, seguindo a linha das publicações do nosso blog em outubro, que mulheres são mais conscientes ambientalmente que homens. Agora, como o título já acusa, sabemos, também, que elas reciclam mais que seus parcerios do gênero oposto. Não cabe a nós, então, questionar os resultados do Dr. Aaron Brough, responsável pela pesquisa.

Precisamos, no entanto, perguntar-nos... por quê eles acusam isto?

'Eu uso esta bolsa porque minha mulher preocupa-se com o meio ambiente', lê-se na frente de um dos muitos exemplos de bolsas recicláveis que são vendidas em supermercados no Reino Unido.

Isto é a prova concreta, e reafirmativa, de que homens não ligam tanto para escolhas sustentáveis e deixam a responsabilidade, para não dizer a culpa, do problema para as mulheres. No entanto, há uma razão social - e também histórica - para isto! Ficou confusa ou confuso? A gente explica!

Ou melhor: a ciência social explica.

Madeleine Somerville, ativista do meio ambiente canadense, escrevendo para o The Guardian, afirma que 'homens, enquanto gênero e classe, não representam necessariamente ameaças ao meio ambiente, mas em sua grande maioria, simplesmente não parecem estar tão preocupados quanto as mulehres com o destino do plástico, as emissões de carbono, com o movimento lixo-zero, ou até mesmo com a sustentabilidade, num geral.'

 

Ecofeminismo: O Papel da Mulher na Preservação do Meio Ambiente

 

Introduzindo propriamente os dados coletados pelo Dr. Brough, homem, e seu estudo de 2016, ele explica como um grupo de homens, expostos a estímulos diferentes, contribuíram para que chegássemos a esta conclusão:

'Nós entregamos a um grupo de homens um cartão de compras de cor rosa, com design floral, com um recado de seus amigos dizendo que eles pensaram que o cartão era 'perfeito' para eles. Ao mesmo tempo, entregamos a outro grupo, também de homens, um cartão de compras dito neutro. Depois, pedimos que eles comprassem com os cartões, em seções estratégicas num supermercado, alguns produtos.'

Como era de se esperar, aqueles que receberam o cartão mais enfeitado, e que leram a mensagem dos colegas afirmando que este combinava com suas personalidades, escolheram opções não eco-friendly durante a aquisição de lâmpadas, baterias, mochilas etc., em uma tentativa inconsciente de não 'se sensibilizarem' com mais esta questão; afinal, eles já foram sensibilizados. Em outra palavra, 'feminilizados' por outros ao terem cartões-rosa (uma cor tida como feminina) atribuídos a eles.

A tentativa de distanciamento do estereótipo, ainda segundo o Dr. Brough, teoriza que nossas percepções de um comportamento mais sustentável são de algo 'feminino':

'Ambos, tanto homens quanto mulheres, julgam uma pessoa que está comportando-se ecologicamente consciente como mais feminina, e enxergam até a si próprios desta forma quando associam-se a tais questões.'

O imaginário é, naturalmente, histórico: homens sempre são retratados como os durões; aqueles que não choram e que preocupam-se com aquilo que realmente importa (não incluindo, é claro, o meio ambiente), enquanto mulheres têm a percepção, tanto imposta pelas relações de gênero quanto por si mesmas, de que devem assumir o lado mais emocional, 'fragilizado'.

Logo, ao evitar falar sobre e agir de acordo com os preceitos da sustentabilidade, homens preferem não preocupar-se com a questão, numa tentativa de proteger a própria masculinidade. E tal escolha tem consequências e impactos profundamente negativos para o meio ambiente!

É importante frisar, em contrapartida, que homens não precisam ser culpabilizados.

Não entrando sequer no mérito de que, assim como mulheres, eles são vítimas dos imaginários sociais, apesar de, na dicotomia apresentada, saírem com grande parte dos privilégios, pessoas de ambos os gêneros são suscetíveis às mudanças ambientais. Logo, não é objetivo de ninguém agravá-las.

O estudo de Brough, ou até mesmo as reflexões que propomos neste artigo, também não deve surpreender. A maioria das decisões que tomamos são inconscientes e, é claro, influenciadas por nossas vivências enquanto homens ou mulheres, e, logicamente, os comportamentos esperados de nós por isto.

 

Por quê as Mulheres de Myanmar Estão Ajudando a Salvar o Meio Ambiente?

 

Logo, é importante que quebremos as barreiras de gênero, tanto para promover um mundo com mais equidade para todos enquanto seres humanos, quanto para colaborar com a preservação dos nossos lares. Gostaríamos de agradecer a todas as mulheres, e aos homens também!, que acompanharam nossas postagens temáticas este outubro. Esperamos que tenha sido um período de informação, questionamentos oportunos e assimilação para nossos leitoras e leitores!

Fiquem, por fim, com um vídeo não diretamente relacionado a esta publicação, mas que ajudará a explicitar o papel de alguém que é agente direto no meio ambiente. E mulher. 

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