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Como o Geoprocessamento tem ajudado a salvar vítimas de Brumadinho

Como o Geoprocessamento tem ajudado a salvar vítimas de Brumadinho

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Em artigo publicado por Eduardo Freitas, colaborador do site MundoGeo, é possível ver como as chamadas Geotecnologias, e as técnicas de Geoprocessamento em si, têm auxiliado autoridades nas buscas por sobreviventes e dados pós-desastre da ruptura da barragem de Brumadinho.

No último dia 25, a cidade de Minas Gerais, onde a barragem da empresa Vale estourou, virou notícia global, recebendo a atribuição de 'crime' na internet.

Para Freitas, geotecnologias não estão somente contribuindo para os resgates, mas poderiam, caso tivessem sido empregadas da maneira correta previamente, ter minimizado o impacto da tragédia, ou até mesmo tê-la evitado.

 

A tragédia

Brumadinho já é um dos maiores desastres ambientais do Brasil até hoje, e aquele que talvez tenha ceifado mais vidas.

Para o especialista, as Geotecnologias estão presentes em todas as fases de uma grande obra, como a mencionada barragem do Feijão, e são uma 'ferramenta para salvar vidas', desde o mapeamento de uma região com potencial para implantação da barragem, passando pelo estudo de impacto ambiental, desenvolvimento do projeto, locação da obra, implementação da barragem e até posterior monitoramento.

Como Freitas afirma, imagens de satélites do local foram disponibilizadas apenas horas após o desastre, o que levou muitas empresas e instituições a rapidamente voltarem suas atenções para a região e se mobilizarem para gerar dados.

Comunidades de mapeamento colaborativo e de drones também se mobilizaram para apoiar na resposta ao desastre, o que evidencia a força do setor.

 

As Possibilidades do Geoprocessamento

Para se ter uma ideia do poder das Geotecnologias, uma das primeiras imagens do pós-rompimento foi obtida com o satélite PLEIADES na manhã de sábado (27-01). A imagem foi ortoretificada, reprojetada em UTM 23S WGS 84, GEOTIF e expressada no formato Jpeg 2000, com 8 bits, 3 bandas, RGB, cores naturais, ou seja, sem filtros, e com contraste.

E, mesmo tendo sido adquirada com muitas nuvens, a imagem pôde ser processada sem problemas pela AIRBUS e disponibilizada pela empresa ENGESAT, o que comprova a eficiência e confiabilidade dos equipamentos modernos.

Adicionalmente, Freitas também informa que a empresa DigitalGlobe forneceu imagens obtidas com o satélite WorldView-3, que, como é possível ver abaixo, mostram a extensão do estrago:

Outro exemplo é o mapa da região atingida, que utilizou dados do satélite Radarsat-2, um dos primeiros a imagear a cena ao fim da tarde do dia 26:

Já o mapa seguinte utilizou o satélite de alta resolução Rapid Eye, que imageou o local no dia 27 de janeiro.

Os limites da área atingida pela imagem têm como objetivo auxiliar as equipes de resgate pontuando, precisamente onde haviam edificações. Também foram fornecidas coordenadas de cada uma das edificações para as equipes de resgate:

Outra imagem, ainda mais recente, é esta obtida com o Pleiades, na última segunda-feira (28-01):

Por fim, a comunidade OpenStreetMap Brasil também decidiu apoiar as atividades de busca, divulgando a imagem seguinte, produzida com imagens de antes e após o desastre, sendo considerado, por Freitas, o mais atualizado:

O mapa completo pode ser visto aqui.

 

Os Benefícios de um Sistema de Gestão Ambiental

O Sistema de Gestão Ambiental, ou SGA, como chamaremos para facilitar, é um mecanismo de extrema importância que guiará o trabalho de profissionais do meio ambiente nos próximos meses, enquanto eles tentam minimizar os impactos ambientais do ocorrido.

Sendo um mecanismo que provê o ordenamento e consistência para organizações empresariais de acordo com as preocupação ambientais, ele busca desenvolver e implementar a política ambiental estabelecida por normas ambientais, adotadas e aceitas, internacionalmente.

Um exemplo são as normas da ISO, ou, em português, Organização Internacional para Padronização.

A implementação de um sistema como este propicia a empresas potencialmente danosas a identificação de estratégias de redução de seus impactos na natureza, servindo de orientação e espelho.

 

Quais são as normas ambientais mais utilizadas hoje no Brasil?

Em resposta curta, são aquelas da Série ISO 14000, desenvolvidas pelo Comitê Técnico 207 da International Organisation for Standardisation (ISO - TC 2074). Elas são nada mais, nada menos, que um conjunto de normas que fornece ferramentas e estabelece um padrão de SGA, compreendendo especificamente seis áreas:

  • Sistemas de Gestão Ambiental (Série ISO 14001 e 14004);
  • Auditorias Ambientais (ISO 14010, 14011, 14012 e 14015);
  • Rotulagem Ambiental (Série ISO 14020, 14021 e 14025);
  • Avaliação de Desempenho Ambiental (Série ISO 14031 e 14032);
  • Avaliação do Ciclo de Vida do Produto (Série ISO 14040, 14041, 14042 e 14043);
  • Termos e Definições (Série ISO 14050).

Como pode-se notar, o uso das Geotecnologias, e do Geoprocessamento, é intimamente conectado aos trabalhos desenvolvidos dentro de um Sistema de Gestão Ambiental, servindo de auxílio no planejamento de várias atividades relacionadas ao tema. Exemplo: o uso de imagens de satélite e drones para a localização de áreas e determinadas feições.

Então vocês querem dizer que, se tivessem sido utilizados com mais afinco e cuidado, o desastre de Brumadinho não teria acontecido?

Não exatamente. Há outros fatores envolvidos, especialmente por se tratar de uma empresa tão amplamente conhecida como a Vale, e temos certeza que eles tinham profissionais capacitados, e a tecnologia suficiente, para evitar que o pior se concretizasse.

É evidente, no entanto, que algum erro foi cometido e que, quando bem aplicadas, tais tecnologias são nossas melhores amigas na prevenção de desastres.

'No caso da monitoração de barragens, como a que se rompeu em Minas Gerais, pode-se aplicar diferentes técnicas de levantamentos, como triangulações, trilaterações, nivelamento geométrico de primeira ordem e rastreamento com receptores GNSS', Freitas continua no artigo. 'Além disso, é feito o ajustamento dos dados para verificar a rigidez da rede.'

Falando sobre GNSS, que o autor teve o cuidado de citar, a técnica tem encontrado largo emprego no monitoramento de deformações estruturais, como barragens de concreto que requerem precisão milimétrica - em alguns casos, até sub-milimétrica - e que, como estamos vendo em Brumadinho, fazem toda a diferença.

Apesar dos benefícios da tecnologia que temos a nosso favor, é importante ressaltar, mais uma vez, que elas não trazem qualquer garantia definitiva a qualquer processo, mesmo sendo altamente confiáveis.

Também reiteramos que não foi dito, em momento algum deste texto ou do original, disponível na íntegra aqui, que profissionais da empresa Vale não estavam capacitados para utilizar estes métodos.

É importante, na verdade, parafraseando Freitas, que garantemos o uso correto das Geotecnologias o máximo possível, uma vez que estas minimizam tanto a frequência, como consequências, de impactos como este, que devem ser colocados no passado de Minas Gerais, e do Brasil, de uma vez por todas.

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