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Seria a dessalinização uma solução para a crise hídrica do Brasil?

Seria a dessalinização uma solução para a crise hídrica do Brasil?

Dessalinização no combate à falta de água

A dessalinização como uma das saídas para solucionar o problema de abastecimento de água, como apontado pelo atual Presidente Jair Bolsonaro, foi um dos temas debatidos no 3º Seminário da Associação Latino-Americana de Dessalinização e Reutilização da Água (Aladyr).

Sputnik Brasil, portal de informações, conversou com um especialista sobre a questão.

Presente no evento, que ocorreu em Salvador, capital da Bahia, Adilson Pinheiro, presidente da Associação Brasileira de Recursos Hídricos, atesta que o tema é 'muito importante para o Brasil, sobretudo por conta das crises hídricas que tivemos nos últimos anos':

'Digamos que algumas dessas crises hídricas permitiram um grande aprendizado técnico também para os gestores de recursos hídricos', comentou à Sputnik Brasil. 'Nós temos situações para as quais estão sendo buscadas soluções, mas também outras que demandam ações de planejamento para modificar o quadro geral que existe.'

A falta de água em múltiplos municípios brasileiros nos últimos anos agravaram as preocupações de governantes e da sociedade.

Dentre as preocupações, está justamente alternativas viáveis para o fornecimento de água.

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O desperdício de água no Brasil

Dados fornecidos pela Aladyr mostram que o Brasil tem uma média de desperdício de 38% de água, índice menor que de todo o resto da América Latina (50%). Mesmo assim, o percentual é considerado preocupante por especialistas, que debateram quais os caminhos a curto, médio e longo prazo para driblar o problema.

Para o especialista, a réplica de solução de questões, seja no âmbito de bacias nacionais ou estaduais, pode ser republicada nas demais regiões do país. Para Pinheiro, 'gestão' é a palavra-chave, uma vez que envolve a condução de políticas públicas relacionadas a recursos hídricos:

'A gente tem a política nacional de recursos hídricos que já está fazendo 22 anos que foi promulgada [sic] e temos ainda muitos aspectos da gestão de recursos hídricos que precisam ser implementados', continuou Pinheiros. 'O que se observa d eofmra geral é que nas bacias que são geridas pela Agência Nacional de Águas, o problema está sendo melhor resolvido, enquanto nas bacias estaduais essa solução está bastante precária e bastante deficiente em vários locais.'

Pinheiros também menciona a importância da outorga do uso de recursos hídricos, citando o processo de obtenção da outorga como um dos intrumentos que nos permitem fazer bom uso do recurso natural, que deveriam ser, inclusive, implementados em todas as bacias, mas não são:

'(...) entre esses instrumentos, um deles diz respeito à outorga pelo uso de água, ou seja, a distribuição da água entre os usuários', disse, 'isso ainda tem gerado alguns conflitos em algumas regiões.'

Para ele, com um processo de gestão 'mais aprimorado', conseguiríamos fazer uma melhor alocação, de forma a melhorar o atendimento a diferentes usuários em situações mais críticas; o que têm se tornado cada vez mais frequente, em especial em grandes bacias próximas a regiões metropolitanas.

 

Muito além de apenas uma boa gestão

No entanto, só uma boa gestão não resolverá a questão!

Durante as discussões na capital bahiana, reforçou-se um dado expressivo que corrobora com a ideia de que a gestão de recursos é essencial: a garantia de água no Brasil, hoje, demandaria investimentos de R$22 bilhões pelos próximos 15 anos.

Qualquer valor abaixo disso, segundo indicadores, significaria que dependeríamos de chuvas. Como explicou o presidente da Associação, uma gestão correta não engloba somente a presença de recursos considerados necessários, mas também sua 'aplicação na íntegra', com devido planejamento e implementação.

É, inclusive, como tudo deveria funcionar segundo o Plano Nacional de Segurança Hídrica, mas ainda há muito o que ser melhroado. O combate ao desperdício também foi um ponto marcante das discussões:

'O desperdício de água potável é um dos grandes problemas e está associado ao fato de que a infraestrutura é antiga, que não tido reposição de instalações, e que faz com que as perdas físicas sejam bastante significativas', Pinheiro confirma. 'Outra questão são os desvios de água não medidas no sistema; seria preciso a colocação de hidrômetros para o controle desses desvios irregulares. Estes seriam os dois grandes gargalos hoje.'

Mesmo que o desperdício de água no Brasil seja o menor de todo o continente sul-Americano, isto não deve ser considerado 'positivo', segundo Pinheiro, uma vez que há municípios do país com desperdícios acima de 50%, o que ele considera 'inaceitável'.

É aí que menciona-se, pela primeira vez, o emprego de tal tecnologia, que está atrelada à melhoria da gestão dos sistemas de abastecimento em todo o Brasil. Uma vez que não se consiga mais produzir água em algumas regiões específicas, a dessalinização pode ser uma alternativa.

 

A dessalinização resolveria o problema hídrico do Brasil?

Mencionada pelo especialista e alvo de debates no evento da capital baiana, a dessalinização da água possui projetos de pesquena escala já em andamento no Nordeste brasileiro. No entanto, diante das mais recentes crises hídricas vividas no país, em especial no Centro-sul do país, o uso da água do mar como alternativa tem dominado cada vez mais as conversas.

Um dos argumentos de Bolsonaro para defender o processo de dessanilização, inclusive, durante a época de campanha, foi que Israel é um dos países com expertise na dessanilização de água no mundo, tendo driblado parte de seus problemas hídricos por isto.

No entanto, como Pinheiro conta ao Sputnik, as realidades dos dois países são bastante diferentes e, em nosso contexto, o método não deve ser considerado em larga escala:

'A questão da dessalinização pode ajudar, mas não é o ponto prioritário', Pinheiros ressaltou, durante sua conclusão. 'A nossa prioridade é melhorar os processos de uso da água; nós ainda temos uma taxa de desperdício muito grande, nossas tecnologias podem ser aprimoradas (...)'

O presidente da Associação revelou, durante o evento, que um projeto de dessanilização para Fortaleza foi apresentado em Salvador, com custo estimado em R$ 480 milhões.

Por ser caro, e necessitar da garantia de recursos e modelos de gestão exemplares, o processo não deve se popularizar por aqui, ainda mais levando em consideração o custo para instalações. A partir de uma ótima mais otimista, no entanto, Pinheiro já opina que 'esse processo de alocação negociada da água vai evoluir', e que isto permitirá que utilizemos melhor os recursos que estão disponíveis.

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